Hoje escrevo-me em metáforas.
Lágrimas.
Há sempre um excesso delas em nós.
Antes chorava por tudo e por nada, hoje choro quando as lágrimas já transbordam o copo do meu corpo.
Quando o acumular de tristeza já é mais pesado que eu.
Então aí desabo sem forças e deixo-me ficar perdida.
Sem intenções de seguir caminho.
Sentido o arder da pele do sal que elas trazem e o coração que grita em desespero que o acudam.
E o que antes era Um dia chorei passou a Chorei dias.
O de ontem, o de hoje e provavelmente o de amanha.
A sensação de aperto e pânico que sinto faz com que o meu corpo ressinta ainda mais a nocividade das minhas acções.
Foi sem dúvida uma noite para recordar.
As luzes e o meu corpo num conjunto frenético e extasiado, embebido por um número de copos que perdi a conta.
Pensas que o balançar dos nossos corpos não aconteceu por um acaso?
Não
Não balancei para não balançar a espiral cíclica que nos envolve.
Mas doeu.
Mais não seja por não te poder tocar.
E, confesso, que nem sempre o meu sorriso foi verdadeiro.
Nele está estava entranhada a mágoa sem que a conseguisse desamarrar.
E magoa mais quando tenho de engolir verdades que me deste como uma mentira.
É verdade.
Toda a gente mente.
E tal como os homens, uma mentira não se mede aos palmos.
Porque não se conta a totalidade de uma.
Daí se dizer Não minto, omito.
Se bem que para mim são praticamente sinónimos.
Qual é o nome que se dá a uma mentira sobreposta por outra?
Isto é, quando se arranja uma mentira [Estou com outra pessoa] que está sobreposta por outra mentira [Não estou nem estive com ninguém] quando a primeira era verdade?
É, é confuso.
Daí ficar sem saber a diferença entre o real e o imaginário.
Talvez até goste mais que me iludas com uma mentira que me dês a verdade.
Talvez não.
Se vos dissesse que já não sei distinguir o que faz bem do que faz mal, acreditavam em mim?















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